Aliciamento de Atletas 1 PDF Imprimir E-mail

Mesmo tendo passado por isso varias vezes, ainda me entristece ver meus discípulos indo embora.


Desde o início de minha carreira tive a certeza, (e trabalho para isso) de que a relação entre eu e meus discípulos deve ser vitalícia. Me orgulho de receber e-mails carinhosos de antigos alunos, que treinaram há mais de 20 anos atrás, no estado de Minas Gerais.

É isso que o verdadeiro Judô ensina. Não podemos cair na vala comum de relações superficiais de um mero técnico esportivo junto a um aspirante a atleta.

A relação entre mestre de Judô e seus discípulos é algo comparado somente a relação pai e filho. Ver um atleta conquistar uma vaga na seleção Brasileira tem a mesma carga emocional de ver um filho recebendo um diploma de curso superior.

O sentimento de vê-lo sendo contratado por outra agremiação é igual a aquela que sentimos quando vemos nossos filhos saindo de casa para morarem sozinhos. A preocupação não é que o filho vá morar sozinho, vá ser independente, mas que saia e tenha a mesma orientação que vinha sendo dada dentro de casa. A preocupação é que a saída não venha a ser um grande marco na vida do atleta ou do filho.

É um sentimento dúbio que mistura alegria e tristeza. Alegria de ver que nosso trabalho fora bem feito. De que realmente sou um formador de pessoas melhores, que estas pessoas são cobiçadas por outros colegas de profissão. Porém, a tristeza vem junta, na forma de ver que não mais terei a oportunidade de conviver diariamente com este discípulo que praticamente vi crescer, de continuar minha obrigação de orientador e de não mais acompanhar seu desenvolvimento como gostaria.

É muito bom sentir orgulho de formar os nossos próprios atletas. Deve ser frustrante para um Kodansha não ter seus próprios discípulos, restando assim, recrutar atletas de outras academias.

É fácil justificar dizendo que outros professores também fazem isso, porém deve haver ética dentro do judô. Os professores devem demonstrar competência Conquistando resultados com seus próprios atletas.

Enfim, tenho que me despedir de mais um de meus “filhos”. Sei que será o melhor para ele e que no fundo, meu trabalho tem este como um dos resultados, mas fica uma pergunta.

Será que essas grandes cidades, gastam metade do valor pago em salários aos atletas contratados, na categoria de base para a formação de novos atletas?


Conquistar resultados com seus próprios atletas isto é competência.


Sem falsa modéstia, pois como eu disse já passei por isso muitas vezes, não é difícil formar competidores. O difícil mesmo é formar discípulos.

Sensei Ichikawa – 8 DAN